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ENSAIOS

de escrita, culinária, economia e finanças, bem-estar e reflexões sobre parentalidade

  • Foto do escritorJuliana Machado

Boa de briga

Ou de lábia, vai saber... nem quero



50% das vezes que quase fui pras vias de fato foi por causa da família. Não acredita?


Uma vez minha irmã foi acusada de se meter com o cara que umas meninas barra pesada da escola gostavam. Bem barrados no baile. Estavam no meio de um jogo de futebol da gincana do colégio. Jogo alto nível. Mentira, nem sei. Eu não estava assistindo. Fizeram uma falta na minha irmã e o nariz dela sangrou. Ele sangrava sempre nesses dias, às vezes sem motivo algum, mas ela demonstrou toda a sua veia artística na exposição da dor. A menina foi expulsa. Quando acabou o jogo, minha irmã saiu correndo. Eu a vi chegando esbaforida e assustada e se escondendo atrás de mim. Quem não conhece a gente não sabe o ridículo que deve ter sido essa cena, mas confie, foi no mínimo estranho. Aí eu vi um monte de meninas vindo correndo atrás em nossa direção, todas brabas, falando alto e xingando. Nem entendi direito o que tinha acontecido. Fui pra cima delas. O que vocês estão fazendo aqui? O que vocês querem com a minha irmã? Vocês estão malucas? Quem foi que fez a falta? Perdeu o juízo? Se encostarem um dedo nela, a coisa vai ficar feia. Saiam daqui. Não quero mais sequer ouvir falar de vocês.

E não é que funcionou? Graças a Deus, né? Porque se não essa seria a história da surra que eu levei por bancar a durona sem saber brigar de verdade!


Então eu sei que quando mexem com a nossa família a gente vira bicho e quer resolver logo tudo. A gente faz e fala coisas sem pensar muito nas consequências. O sangue ferve e partir pra cima é uma opção. Mas isso a gente faz na nossa vida privada. E na adolescência. E nem devia. Na vida adulta e na vida profissional precisa ser diferente. A gente tem outras opções, outros caminhos e mais maturidade, meios e conhecimento. A gente avalia melhor e mede mais as consequências.

Ou pelo menos devia ser assim porque em tese a gente evolui com o tempo.

Isso é esperado de qualquer cidadão comum. Das nossas lideranças eu espero mais, muito mais que isso.


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Obs. 1: Eu quase fui pras vias de fato 2 vezes na vida. A outra foi quando me acusaram de roubar num jogo de vôlei. Tá, eu sei que isso não é vias de fato de verdade, mas no meu coração foi. Rs. Nunca apanhei porque nunca briguei de verdade. Ainda.

Obs. 2: Elas não mexeram mais com a minha irmã. E sim depois eu dei uma bronca na minha irmã também, mas ela eu não podia ficar peitando porque a mamãe não deixava.

Obs. 3: Essa é a minha versão dos fatos. Se você conhece a minha irmã, pode já ter ouvido outra versão.

Obs. 4: O texto foi escrito em 19/2/19. Havia um contexto para ele, mas nem me lembro mais qual escândalo especificamente e não acho que seria uma checagem fácil, dado o ano que 2019 foi. Em tempos de discussões acaloradas, a reflexão continua válida.

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