Mesada
- Juliana Machado
- há 3 dias
- 4 min de leitura
E a educação financeira a nós possível.

Esse ano minha mais velha começou a ter educação financeira na escola. É bem elementar ainda, mas eu achei o máximo. Eu nunca tive uma aulinha que fosse sobre o assunto, nasci e cresci na época de hiperinflação e trocas constantes de planos econômicos – seria difícil mesmo ensinar qualquer coisa naquela época. Aprendi o que sei na marra, já com salário, boleto, dívida.
Achei então que chegou o momento da fatídica mesada. Porque tem dois assuntos que eu acho que todo mundo precisa aprender na vida: comida e dinheiro. O lance da comida é um assunto corriqueiro aqui em casa por conta das minhas muitas questões na área, às vezes o meio de campo embola um pouco, mas acho que faço um bom serviço.
Eu li um bocado sobre educação financeira, ouvi especialistas e conversei com o meu digníssimo. Juntos entendemos que a mesada é uma boa ferramenta para que ela aprenda a gerenciar o dinheiro, a esperar e a economizar, a gastar também. Ela vai errar e vai se frustrar e tudo bem porque nesse ambiente as consequências estão sob controle.
Mas a mesada não é um direito dela e não é uma remuneração por serviços prestados. Ela não ensina o valor do trabalho, por exemplo, não é um salário, não no nosso caso. Estudar é obrigação dela (e não a nota alta, que fique claro) e as obrigações que ela tem em casa fazem parte da vida em comunidade e não precisam de remuneração. Quando conversamos com ela, dissemos: é como a caligrafia para a sua letra – uma maneira de treinar, compreender e melhorar naquele campo. E, como toda ferramenta, pode ser alterada, ampliada, reduzida e até eliminada.
Como ela ia fazer aniversário por esses tempos, combinamos de usar a data como marco para iniciarmos. Estabelecemos algumas poucas regras, com o tempo elas podem aumentar ou ficar mais complexas, vai depender da caminhada e do nosso dinheiro, claro, rs. Nós também estamos aprendendo. Olha só o que decidimos:
1. A frequência será semanal, porque é um tempo que ela entende melhor e fica mais fácil de acompanhar. Todo domingo vamos sentar juntos, olhar as anotações dela no caderno que ela ganhou para isso, e vamos dar o dinheiro para ela. Vamos conversar um pouco sobre metas, sonhos etc. E pronto, vamos tentar manter o assunto apenas nesse momento.
2. O valor é pequeno, para que caiba na frequência semanal, no nosso bolso e nas contas que ela é capaz de fazer.
3. Vamos de moeda. Li em diversos artigos que o concreto ainda é importante para ela e ver as economias crescerem tem um impacto positivo. Por isso também o cofrinho é na verdade um pote transparente, desses de cozinha mesmo, com tampa. O cofre de porquinho ficou só para a foto. O dela ela pode abrir quantas vezes quiser. As notas vão vir em seguida, a depender de como observarmos a evolução dela.
Pausa para explicar que fui ao banco especialmente para sacar moedas e dinheiro trocado. Sabia que tem agência específica para isso? Eu não sabia, faz tanto tempo que eu não saco dinheiro nem em caixa rápido que nem vi que meu cartão venceu faz anos, rs. Mas na agência eu não precisei do cartão, graças a Deus.
4. O caderno vai ter um padrão de anotação de fluxos simples, só para ajudar a ver a movimentação do dinheiro e para que ela se habitue ao controle.
5. As regras da casa continuam valendo. Então ela até pode gastar tudo com doces, por exemplo, mas vai comer na medida que costumamos permitir mesmo.
Parece muito, né? E eu acho que é mesmo, pelo menos no início. Mas acredito que, com o tempo, a dinâmica vai ficar fluída e o esforço há de valer a pena.
Imagina se tivesse sido assim com gente?
Daqui há um tempo eu volto para dar notícias desse projeto.
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Obs. 1: É a mais velha que está aprendendo educação financeira, mas a mais nova, vendo a movimentação, pediu para participar e se você conhece a nossa mais nova já sabe como é difícil dizer não para ela, rs. Então ela vai iniciar também, mas num valor menor e com menos obrigações e controle. Vamos ver no que dá.
Obs. 2: Temos ideias de como evoluir nesse projeto, como incluir rendimentos (tipo juros mesmo), dar um valor extra por livro lido, propor objetivos específicos e premiar quando alcançar, refletir sobre doações, dinheiro específico para viagens (por exemplo, dar o valor que elas têm em economias) e, claro, migrar para investimentos verdadeiros, conta-poupança ou o título novo do Tesouro Direito (no começo, o que for mais fácil).
Obs. 3: Nesse embalo, resolvemos nós também organizarmos a vida financeira familiar. Antes das filhas também fazíamos reuniões semanais para manter tudo em ordem, mas esse hábito não resistiu à chegada das crias. Torcendo demais para que dê certo também.
Obs. 4: O jogo da mesada da Turma da Mônica é um bom primeiro passo para quem vai começar a pensar nessas coisas, além de muito divertido. Aqui em casa nossa mais velha economiza tudo e a mais nova gasta tudo, claro. Já deu para sentir que vamos precisar ensinar uma a gastar e a outra a economizar, rs. Vida de mãe.




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