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ENSAIOS

de escrita, culinária, economia e finanças, bem-estar e reflexões sobre parentalidade

Voa, Flor, e até logo!

  • Foto do escritor: Juliana Machado
    Juliana Machado
  • há 2 dias
  • 4 min de leitura

*Semana passada eu postei “Voa, Flor” sobre como foi a experiência de colocar as meninas numa escola que tinha tudo aquilo que acreditávamos ser bacana para nossas meninas. O texto foi escrito em 2021 para a revista da escola. Por alguma razão nunca havia postado, não sei por que, ainda gosto dele.

Esse texto agora é o que eu escrevi quando deixamos a escola, para o dia das despedidas. Nossa decisão de deixar a escola estava tomada fazia algum tempo, mas ela também encerrou suas atividades, o que deixou o dia mais emocionante para todos. Eu não li o texto, não consegui, submersa nas minhas próprias emoções e tentando ajudar minhas meninas, meu digníssimo e os demais a lidarem com as deles. Fica aqui o registro, como gratidão.

Ele não traz tudo o que refletimos na época, sejam questões econômicas, éticas ou pedagógicas. Mas traz o principal, eu creio.

 

 


Cinco anos atrás, quando nos juntamos a essa comunidade, a essa família, parecia que vivíamos um sonho. Havíamos enfim encontrado uma escola que praticava tudo aquilo que acreditávamos fosse o correto em termos de educação – metodologias ativas, aprendizagem por projetos, estímulo à colaboração, criatividade, pensamento maker e problem solver, foco na criança e nas suas potencialidades. E funcionava!

Mas mais do que isso, encontramos aqui um espaço que nos recebia como família, onde pudemos exercitar nossa parentalidade, fazer valer nossas ideias e valores, trocar ideias, buscar apoio nas nossas fragilidades. Sempre encontramos as portas abertas, alguma boa sugestão ou pelo menos uma boa escuta. E isso não é pouco. Não era só uma escola.

Comemos bastante, fofocamos um outro tanto, participamos de muitos projetos, feiras, atividades. Cuidamos e fomos cuidados. Aprendemos e também ensinamos. Vibramos com cada conquista dos nossos e de todos. Fizemos parte e fomos importantes, relevantes. Tecemos laços. Construímos uma comunidade, uma história e, puxa, quantas memórias!


Lá naquele primeiro ano eu escrevi um texto para a revista da escola que chamava “Voa, Flor”. E nele eu descrevia a sensação de entregar as minhas florzinhas não para serem colocadas em caixas, protegidas, mas para essas magas lhes ajudarem a construir suas asas. Adoramos florzinhas voadoras, me disseram. Com medo, mas com esperança, eu observei as minhas meninas cada vez mais espertas, inteligentes, gentis e muito capazes. As asas foram se abrindo e os voos já podem ser para mais longe.


O que eu não percebi naquela época e talvez hoje eu tenha apenas começado a refletir é que aquele texto era também sobre mim, sobre nós mães, pais e responsáveis. Como quando chegamos na escola, buscando algo diferente do que o mundo nos oferece em termos de educação, buscávamos nos fortalecer para o nosso exercício de mães e pais. Eu sinto que aqui eu aprendi e exercitei a mãe que eu sempre quis ser e aqui com vocês, com todos vocês, eu construí rede e laços que nunca supus ser capaz. Sou mais forte e mais capaz hoje por esses 5 anos juntos e, de uma forma meio torta, estou feliz por ter aproveitado esse projeto desde o seu primeiro dia e até hoje.


Eu não sinto que o sonho acabou.

Eu sinto que hoje temos asas para voos mais distantes. Nossa estrutura é sólida, nossa base tem fundamentos concretos e nosso coração está cheio de bons sentimentos entre nós. Para onde quer que nossas escolhas nos levem, teremos sempre o dna da escola em nós. E que bom que é assim.


A vocês, equipe amada, o nosso eterno agradecimento. Vocês foram aguerridas na defesa do nosso jardim, nas pequenas e nas grandes coisas. E fizeram com garra, com amor, com graça, com alegria e com a força que sabe Deus de onde vocês tiraram. Não há nome para definir o caráter e o profissionalismo de vocês. Vocês foram além, muito além. Vocês fizeram do magistério realmente uma profissão de heroínas, de guerreiras. Não precisava ser assim tão duro, mas não foi em vão e não passou despercebido.

Nós, que colhemos e colheremos diariamente o fruto do trabalho de vocês, só podemos dizer hoje e sempre: muito obrigada! Nos dias de glória, mas principalmente nos dias de luta, contém também conosco. O mundo não é fácil, sabemos, mas será motivo de alegria poder retribuir de alguma forma e ainda que apenas um pouco, o tanto que vocês fizeram por nós e nossas crianças.


Às famílias, a todos na verdade, obrigada por fazerem parte da nossa história e por nos ajudarem na criação das nossas filhas e das nossas bases. Obrigada por cada conversa, cada desabafo, cada apoio. Levaremos um pouco de cada um conosco sempre. Laços assim não se desfazem, eles irão se alargar para alcançar mais corações, mais famílias, mais amigos.


Às crianças, meus amores, nossos amores. Isso tudo só foi possível, só é possível, porque todos aqui amam muito e especialmente a cada um de vocês. Que alegria é ter vocês conosco e ver vocês se desenvolverem, amadurecerem. Que ano foi esse de 2025, quanto aprendizado, quanta alegria vocês nos deram! Obrigada!

 

Um dia eu ganhei duas lindas florzinhas.

No dia seguinte elas se juntaram a um lindo jardim.

E essas flores ganharam asas e com essas asas elas aprenderam a voar voos longos, mais distantes. E estão ganhando o mundo.

Dá medo, mas eu sei que elas são capazes. Elas têm raízes e asas fortes e um dna virtuoso.

Chegou a nossa hora de ir também voar mais longe. E eu sei que somos capazes, também temos raízes e asas fortes. Estamos há cinco anos construindo elas.

Voem, flores! Se precisarem, o ninho estará aqui. O ninho estará sempre aqui.

Até logo! Até já! Até o próximo Terraço!

 

 

Obs. 1: Terraço é um shopping aqui de Brasília, onde nos acostumamos a nos encontrar quase semanalmente para comer, brincar e conversar. Os encontros continuam, embora mais esporádicos. É a vida, faz parte, ainda é muito bom.

Obs. 2: Nos mudamos para outra escola muito boa, montessoriana ainda mais, bem grande e estruturada. É um outro exercício de parentalidade, mas igualmente muito válido. Nossas florzinhas estão crescendo rápido e corajosamente. Dá medo ainda, mas também dá gosto de ver.

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