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ENSAIOS

de escrita, culinária, economia e finanças, bem-estar e reflexões sobre parentalidade

  • Foto do escritorJuliana Machado

Dia das mulheres



Dia das mulheres, dia de gosto agridoce por aqui.

Não me leve a mal, eu adoro as homenagens, o carinho, os chocolates, as flores, as horas a mais na cama especialmente (rs). Acho que merecemos tudo isso, aliás, merecemos muito mais. É que esse tipo de retorno, quase prêmio de consolação, cada vez basta menos, e às vezes parece mais um tapa na cara do que realmente um ato de gratidão...


Veja, eu sou mãe de duas meninas. O mundo de hoje – machista, desigual e injusto – me dói muito e me limita para além do que já descobri na terapia. Ok, eu aprendo, eu reflito, eu me adapto.


Mas quando olho para elas, as minhas meninas, na inocência de quem ainda está se formando, e que mesmo com todos os cuidados que temos, já repetem estereótipos e aceitam limitações em razão do seu gênero de nascimento, eu me preocupo muito. Eu não quero que elas se adaptem ou que aprendam a viver com limitações. Para elas eu quero liberdade e que o mundo mude e se torne um lugar mais possível de se viver, e não só sobreviver.


Então, num dia como esse, já não por mim, mas por elas...

... Eu penso que não quero mais apenas flores. Quero salários e condições de trabalho realmente igualitários.

... Não bastam mais os chocolates, não importa de que tipo eles são ou em que quantidade venham. Quero é não sentir medo de andar na rua ou de ser julgada por ser mulher.

... Quero as homenagens e o carinho – tudo super merecido, mas quero também acreditar que o meu corpo não é mercadoria e que o meu talento será suficiente.

... Quero e preciso de horas a mais na cama, mas quero também refletir nas dificuldades e lutas diárias, para que esse não seja mais um dia especial de comemoração ao meu heroísmo por enfim reconhecerem que sou humana e tenho sim limites.

... Quero que ser forte seja uma escolha, não uma necessidade ou questão de sobrevivência. E quero poder fraquejar consciente de que terei apoio e sem que isso diga menos a meu respeito.

... Não quero caixas, padrões e estereótipos que me limitem, quero asas que me libertem.


Por mim, como aliás é bem comum, eu cederia e aceitaria porque a luta diária e constante cansa, e como cansa! Mas por elas, no entanto, a luta vale e eu vou até o fim.


Então, nesse dia das mulheres, eu, que tenho a honra de ser cercada por mulheres maravilhosas, que me inspiram, que me empurram, que me dão carinho, colo e puxões de orelha, saúdo a todas as mulheres que sabem o que é dar um pouco mais de si, todos os dias, com um sorriso no rosto e um batom nos lábios.


Mamãe, irmãs, amigas, tias e primas. Parabéns a todas e muito, muito obrigada!

Os exemplos, o carinho, os conselhos, as histórias e as receitas estão todos guardados em minha memória e no meu coração. Eles serão a minha herança mais bendita às minhas meninas.


Cecília e Alice, fechei com vocês, meus amores. Vamos juntas até o final.

Espero que quando chegue a hora certa de vocês voarem, o mundo seja um espaço um pouco mais bacana e gentil. Prometo também ensiná-las e municiá-las caso os dias de luta ainda estejam intensos.

Mas não desanimem. O futuro é feminino, acreditem! E o mundo é de vocês!




* Compilado de textos em dias das mulheres passados, editados para comporem um texto só e meus novos pensamentos.

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