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ENSAIOS

de escrita, culinária, economia e finanças, bem-estar e reflexões sobre parentalidade

  • Foto do escritorJuliana Machado

Eu te ouço.

Atualizado: 14 de dez. de 2022



Eu te ouço. Você não imagina o quanto, mas eu ouço. Se você for uma pessoa querida, eu te ouço mais ainda, nos detalhes. Mas mesmo que tenhamos nos conhecido faz pouco tempo, se você fala algo para mim, eu te ouço. Mesmo que não pareça.


Se é de mim ou para mim, ou se é sobre você ou sobre os outros, importa pouco. Eu presto atenção de verdade. E vou pensar sobre isso depois. Pode ser que eu descarte o pensamento passado algum tempo, porque né, minha cabeça já é uma bagunça e hiper povoada com as minhas próprias ideias, imagina se eu deixar as ideias dos outros me habitarem por muito tempo. Mas eu ouço, eu valorizo e algumas dessas ideias acabam virando minhas também. Pode gerar uma reflexão mais profunda, um texto ou uma mudança – não sei de antemão.


O que eu sei é que se for um problema, eu vou pensar numa solução; se for uma reflexão, eu vou juntá-la às minhas; se for uma história, eu vou perguntar os detalhes e imaginar as cenas na minha cabeça; se for uma dor, eu vou me associar à sua e vou rezar por você; se for um segredo, fique tranquilo que estará bem guardado. Não é proposital, é só como eu funciono mesmo.


Faz pouca diferença se você sabe ou não do que está falando - eu valorizo sobretudo os encontros. Encontrar você por aí e ouvir algo é valioso – pelo que você me diz, eu sei de você, das suas crenças, da sua história, dos seus saberes e valores, muito mais do que do assunto em si. Compreendo também a imagem que você faz de mim, das minhas crenças e valores e da minha capacidade de entender você. É rico e eu cresço a cada encontro, a cada diálogo mais significativo.

É por isso que amo ouvir, acho que amo até mais do que falar. Alguns parentes e amigos dirão algo diferente, meu marido com certeza me desmentiria. Rs. Mas isso também diz muito sobre eles e sobre a minha relação com eles. Ainda assim, é história, tem valor e eu adoro.


Então eu te peço: Fale, fale mesmo, mas seja gentil nas palavras porque eu vou ouvir de verdade. E vou pensar sobre elas. Elas são poderosas demais – elas nutrem, mas também afogam.


Agora, se for falar dos meus, seja muito cuidadoso, mas muito mesmo, tão cuidadoso mas tão cuidadoso que se pensar bem talvez seja melhor na verdade nem falar. Porque aí, amigo, aí eu posso até ouvir, provavelmente vou mesmo, mas aí as palavras me pegam em outro lugar e nesse lugar eu viro bicho. E bicho não pensa muito, mas também não esquece.


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Obs: Sabem quem costuma ser assim como eu? As crianças. Elas podem até não entender direito as palavras ou o contexto, mas entendem algo muito mais relevante: nossas emoções e sentimentos. Aí a gentileza precisa ser redobrada. Sempre. Be aware.


Obs. 2: Não sou imparcial, nunca fui e não almejo ser. Acho a imparcialidade super valorizada. Rs. Só os juízes precisam ser mesmo, talvez às vezes nem eles. Eu sou parcial confessa e estou tranquila quanto a isso.

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